domingo, 21 de novembro de 2010

Mata-me

Mata-me.
Vida só, não-vida.
Um em dois, infinda.

Mata-me.
Sangue, suor, secura.
Beijo, nós, loucura.

Mata-me.
Olhos, boca, mudo.
lábios, fogo, tudo.

Mata-me.
Mundo, terra, ar.
Tu, nós dois, amar.

Fábio Pedro Racoski

Cesar Miller de Almeida

Vez em quando, aqui, no blogue, publicarei as obras do não-poeta Cesar Miller de Almeida.

Filho de pai inglês e mãe brasileira, educado em boa (e cara) escola católica, Cesar Miller de Almeida é, como o próprio diz, "não-poeta". Considera a poesia uma futilidade, já que trata de subjetivismos que não levam a nada: não trabalha para a ciência humana.

A periodicidade dos não-poemas de Cesar Miller de Almeida será bastante esporádica, devido ao seu precioso tempo já estar ocupado para o progresso das ciências.

Amor não há

Não há nada de amor em mim.
Apenas reações do meu inconsciente
a estímulos que causam regozijo,
alívio, saciedade,
dor.

Não há nada de amor em mim.
Quando quero-te é porque meu corpo
está no cio,
como qualquer mamífero
que se preze.

Não há nada de amor em mim.
A relação que tenho
com familiares e amigos
se resume em comodidade,
conveniência,
sobrevivência.

Não há nada de amor em mim.
Aliás: quem disse
que há amor?

Cesar Miller de Almeida

Mais um poema apaixonado

E seu escrevesse
mais um
poema apaixonado?

Daqueles em que os versos
se embriagam de clichês,
daqueles em que as estrofes
se espremem na métrica,
daqueles em que os poetas
tentam em vão
seduzir, fazer-se amado,
conquistar, fingir,
enganar...

Mas hoje o fingimento
não venho me visitar
e fiquei abraçado
com a sinceridade
(ainda que fingidora).

Não posso escrever
um poema apaixonado,
só hoje.

Mas posso escrever-te
com meus olhos.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Você me faz bem

Você me faz bem.
Com você
aprendo num dia
o que sozinho
levaria anos.

Você me faz bem.
Com você
sou mais eu
do que costumo
ser.

Você me faz bem.
Sem você
sou doente,
ignorante,
ninguém.

Você me faz bem.
Sem você,
como posso
retribuir?

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Vote em mim

Vote em mim!

Me chamam de bicha,
boiola, veado,
sapatão.
Sei o que é
viver cercado
de ódio.
Sofro, luto.
Sei me defender.

Vote em mim!

Me chamam de puta,
rampeira, quenga.
Sei o que é
trabalhar
com gente suja
e lutar
para me manter
limpa.

Vote em mim!

Me chamam de tudo,
mas nunca me chamam.
Sei que sou igual
a quem está debaixo
daquele terno suado.
Sei que tenho mais
humanidade
do que quem se diz
amigo do povo.
Sei que sou você,
ele, ela,
nós,
mesmo que você
não queira.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Versos de uma alma masculina

Cubro-me de robustez
para disfarçar
minhas fraquezas.
Mostro-me lógico
e prático
para disfarçar
meu espírito
sonhador.
Elevo o tom da minha voz
para disfarçar
a leveza
dos versos
da minha alma.

Sou homem.
Vendo minha
complexidade
como a mais simples
pobreza.
Gosto de dizer
que venci,
mas lá no meu íntimo
fico feliz por ser
conquistado.

Quero-te,
porque quero
ser todo teu.
Tenho-te
porque eu já
me entreguei
a ti.
Protejo-te,
porque és
minha fortaleza.
Amo-te,
porque somos um.

Sou homem.
Enterno dependente,
eterno aprendiz,
eterno sonhador,
eterno poeta,
eterno teu.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Bullying: conhecendo e reconhecendo

O bullying, também chamado de assédio moral, é uma triste realidade, muito além dos filmes estadunidenses, presente em nosso meio. Marginalizado em campanhas midiáticas que buscam trazê-lo a conhecimento público, e às vezes ridicularizado por não constituir, necessariamente, uma violência física, tal atitude pode deixar marcas em quem a sofre: traumas, comportamento, insegurança, etc.

Bullying é um termo em inglês, que pode-se traduzir como “acossamento” ou “opressão”. O “valentão” da escola é chamado bully. Logo, a palavra pode ser entendida, também (de uma forma coloquial), como “ação de valentão”. Consiste o bullying em diversos tipos de agressões principalmente psicológicas, mas também físicas: cascudos, ridicularização, piadinhas, caricaturas, fofoca, terror, entre as principais (para ler mais, acesse o artigo da Wikipédia sobre bullying: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bullying).

As causas para a vexação por parte dos colegas podem ser várias: discriminação (étnica, social, cultural, religiosa), timidez e características físicas são as principais. Mas nem sempre isto fica claro: segundo Isabella Peres, vítima de Bullying dos 12 aos 13 anos, nunca ficou claro o motivo para tal atitude: “não sabia se era como eu andava, ou com quem andava...”, diz. Ela nunca sofreu violência física, o que ocorre em alguns casos.

Isabella diz que para lidar com o bullying, é preciso “respirar fundo e enfrentar de cabeça erguida; por pior que seja, no final, traz experiência”. O apoio da família e dos amigos é, segundo ela, “de extrema importância” para a superação do medo e da insegurança aí gerados.

A posição tomada pela escola de Isabella era a de diálogo: com os praticantes de bullying, essencialmente. O que, segundo ela, dificilmente surtia efeito, já que não havia ações perante tal realidade no seio escolar, algo que se vê repetindo em diversas instituições de ensino: muita conversa, pouca ação.

Hoje, aos 14 anos, já superados e passados os episódios de bullying, Isabella deixa um recado a quem também sofre com essa atitude: “Eu falo pra enfrentar de cabeça erguida,nunca se deixando abater. Sempre converse com seus pais e coordenadores da escola sobre o que está acontecendo. E acima de tudo, mantenha a calma. Lágrimas e ameaças não vão adiantar para resolver.”

Ele e ela

Ele
sentiu.
Ela
apaixonou-se.
Ele
sorriu.
Ela
alegrou-se.
Ele
possuiu.
Ela
entregou-se.
Ele
correu.
Ela
voou.
Ele
teve.
Ela
amou.

Fábio Pedro Racoski