quinta-feira, 30 de maio de 2013

Último primeiro


talvez
aquele tenha sido
nosso último beijo.

talvez
aquela tenha sido
nossa última loucura.

talvez
aquele tenha sido
nosso último encontro
como amantes.

talvez
hoje seja
nosso último dia.

mas é certo,
ah, meu bem,
é tão certo quanto minha
vida errante,
que eu vou te amar
até o primeiro
fechar de olhos
para o último instante.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 5 de maio de 2013

Você é tão bonita


o dia nasce,
o novo tempo.
você é tão bonita.

o café quente,
o leite frio.
você é tão bonita.

as ruas lotadas,
o sol brilhando.
você é tão bonita.

o sol se põe
lá no horizonte.
você é tão bonita.

a lua brilha
lá no céu.
você é tão bonita.

as luzes se acendem
pelas ruas.
você é tão bonita.

as vozes se calam
pelas casas.
você é tão bonita.

meus braços se perdem
pelo seu corpo.
você é tão bonita.

seu abraço é um pedido
ao tempo
que pare.
você é tão bonita.

Fábio Pedro Racoski

#microcontos

Para estar com ela, ultrapassou a mais árdua estrada, chamada medo.
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Ei, menina, deixa eu te fazer voar nos meus braços de poesia?
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Partiu certo do reencontro nesse mundo incerto onde sentiu que é o homem certo para ela.
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Eu mordo meus lábios pra lembrar o sabor do teu beijo.
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E a saudade dela o fez construir uma estrada pavimentada de sonhos.
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Ele encontrou seu amor mulher nos olhos brilhantes de uma menina.
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Ele encontrou a vida ao perdê-la.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Ela sempre

ela, que em tantos sonhos apareceu
ela, que em tantas vozes se ouviu
ela, que em tantos olhos iluminou
ela, que em tantos ares eu senti
ela, que em tantas palavras eu vi
ela, que por tantas vezes eu busquei
sem saber que ela significa
no vocabulário do meu coração
sentimentos com mil beijos
e olhares,
mas sem palavras
que possam expressá-los
a não ser a mais nova
e antiga:
amor.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Mundo carro

infeliz ser motorista.
já não sabe tropeçar,
não sabe dobrar a esquina,
coração a desguiar.

enquanto você respira
petróleo, borracha e aço,
eu respiro pelas ruas
pele, cabelo e cansaço.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 16 de março de 2013

Eu te amo

não importa
a distância
porque nenhuma estrada
é maior
do que esse louco amor

não importa
o tempo
porque cada segundo
é eterno

não importam
as rugas
porque a cada dia
desbrimos novas belezas

não importam
as brigas
porque sempre queremos
o nosso melhor

não importa
a espera
porque o pra sempre
costuma durar muito

não importa
o que dizem de nós
pois quando estou
com você
o mundo deixa de existir
por um instante

nada importa
e tudo que é nosso
é essencial

porque eu te amo.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 6 de março de 2013

#microcontos

Seus corpos são palavras que, na paixão, se leem em todos os seus sentidos.
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O que para outros é somente sexo, para eles é degustação.
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Vem, que nós somos o tempo, e nos devoremos como ele nos devora.
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Minha paz vira guerra quando alguém magoa uma pessoa que amo.
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Enquanto a chuva de amor molhava as pessoas, ela, com o guarda-chuva aberto, mantinha seu coração seco.
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Entre saias floridas e cafés, uma beleza que desperta a inteligência.
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Sua beleza é inversamente proporcional à sua pequeneza física.
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Minha maior vontade é esconder-te em meu abraço.
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E entre tantas jóias e vitrines, uma beleza impagável.
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Ao ouvir de sua amada sobre sua nova paixão alheia, sentia que o amor por ela dilacerava seu coração.
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E chegará o dia da viagem para fora de mim, com um adeus à solidão.
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A vontade de estar com ela se transformou em solidão que o devorava.
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O ser humano é amigo do sofrimento, é amante do egoísmo, e flerta com a angústia.
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Vou dormir com o gosto do seu nome repetido na minha boca.
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Quero você aqui. E esse aqui pode ser em qualquer lugar.
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E viu seu pai renascer, com o mesmo olhar juvenil, na frente do espelho.
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Inventaram um novo idioma, chamado carinho.
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Além do horizonte está seu Oriente.
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Não vencem, nem perdem. Perdem-se um no outro.
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Teu abraço é meu Porto Alegre.
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Sem pudor, sem pecado, a paixão deles era abençoada com suor.
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Encontrar você é, sim, uma Boa Viagem.
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O tempo maroto me faz contar cada segundo que falta para estar contigo mas, quando estamos juntos, perco a conta.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Maicon

E agora, Maicon?
A vida acabou,
a festa chegou,
o sol não raiou,
a luz lhe ofuscou.
E agora, Maicon?

E agora, piá,
menino, guri?
Você que tem nome,
que zomba dos nomes,
que apanha dos homens,
você que faz rimas,
que fica, engravida,
agrava a vida,
e agora, Maicon?

Está sem casa,
está sem rua,
está sem escola,
está sem leito,
já não pode curtir,
já não pode viajar,
gozar já não pode,
a noite queimou,
o dia não vem,
o ônibus passou,
o tempo não veio,
não veio seu sonho
e tudo ruiu
e tudo dançou
e tudo ocultou,
e agora, Maicon?

E agora, Maicon?
Seu brilho nos olhos,
seu instante de ódio,
sua miragem cinza,
sua playlist,
seus gadgets de ouro,
sua roupa de baile, sua inconsequência,
seu tesão - e agora?

Com o controle na mão
quer mudar de canal,
não existe canal;
quer morrer de amor,
mas você secou;
quer ir pra Goiás,
não pode voltar atrás,
Maicon, e agora?

Se você ouvisse,
se você sentisse,
se você dançasse
a dança fluminense,
se você acordasse,
se você parasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você não vive, Maicon!

Sozinho na multidão
qual bicho-homem,
sem o Livro Sagrado,
sem colo de afeto
pra se aconchegar,
sem motocicleta
que fuja a fumaça,
você dança, Maicon!
Maicon, que música é você?

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Distanciofilia


pegando a estrada, sumindo no horizonte
levando na mala a saudade pra bem longe
só quero saber aonde está
aquele sorriso tão lindo que me fez mudar o lugar.

buscando o abraço além do horizonte
levando mil beijos com gosto de romance
não quero saber se vou chorar
só quero um abraço apertado quando em você eu me encontrar.

eu quero você, não importa onde for
quero com você descobrir aonde vai o amor
quero me perder, vem agora e deixa eu te abraçar
me veja em você, minha história toda pra te dar.

Letra e música: Fábio Pedro Racoski

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Apenas mais uma vez

apenas mais uma vez
eu tinha me perdido de mim mesmo.
apenas mais uma vez
eu tinha desistido de tentar.
apenas mais uma vez
eu tinha mantido o lamento inútil.
apenas mais uma vez
eu tinha me fechado em mim mesmo.

mas eu encontrei você
e foi como se todas as vezes,
todos os tropeços,
me levassem
até onde estamos.

apaixonadamente
juntos.

Fábio Pedro Racoski